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A VIVÊNCIA DO AMOR – Fátima Luisa Giro

EXPRESSÃO DO AUTÊNTICO EXPOSITOR ESPÍRITA

Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados, eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e  humilde de coração e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve. (Mateus, XI: 28-29- 30.)

“(…) duas asas conduzirão o Espírito Humano à presença de Deus. Uma chama-se Amor; a outra, Sabedoria.(…) Através do amor, valorizamo-nos para a vida.

Através da sabedoria, somos, pela vida valorizados. Daí o imperativo  de marcharem juntas, a inteligência e a bondade. (Emmanuel-Pensamento e  Vida, cap.4)  “(…) os efeitos da lei de amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrestre. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão se reformar quando virem os benefícios produzidos por esta prática: Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fosse feito, mas fazei-lhes, ao contrário, todo o bem que está em vosso poder fazer-lhes.”(…) E.S.E-Cap XI-9.

”Não creiais na esterilidade e no endurecimento do coração humano; ele cede, a seu malgrado, ao amor verdadeiro; é um imã ao qual não podeis resistir, e o contato desse amor vivifica e fecunda os germes dessa virtude que está nos vossos corações em estado latente. A Terra, morada de prova e de exílio, será então purificada por esse fogo sagrado, e verá praticar a caridade a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação, o sacrifício, virtudes todas filhas do amor!

John Amós Comenius- (nasceu 28.3. 1592-1670)  Morávia- Nivnice, hoje República Tcheca, foi o primeiro estudioso a instituir a educação como uma ciência sistemática, sendo esta  uma das razões pelas quais ficou conhecido como o “pai da pedagogia moderna”. Percebe-se que Comenius, mesmo tendo vivido no século XVII  e tendo escrito para o seu mundo, ainda hoje encontra eco na educação moderna, a partir do pensamento de Paulo Freire, visto que ambos propunham conceber  o homem como ser integral e ativo em seu contexto social e uma educação a partir do cotidiano. (…) Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção (…).  Comenius afirma que o homem é  um microcosmo, isto é, “a síntese do universo, que em si encerra implicitamente todas as coisas que se vêem esparsas por todo o macrocosmo”. Entretanto, na antropologia comeniana não há espaço para o antropocentrismo. Ele concebe o ser humano como o ápice da criação, pelo fato de Deus tê-lo colocado nesta condição distintiva das demais criaturas ao criá-lo à sua “imagem e semelhança”, o que faz dele a criatura apta para entender e aprender todas as coisas.

Por causa da queda dos primeiros pais, Adão e Eva, registrada no livro da Gênesis, o gênero humano ”foi lançado na solidão da terra, despojado das abundâncias do paraíso e o nosso corpo e alma ficaram expostos à dor”. O homem deixou de ser paraíso de delícias do Criador e se tornou “ingrato com aqueles bens com os quais Deus o havia suprido em abundância no paraíso, para o corpo e para a alma” A educação não somente mudaria as pessoas em particular, mas também a toda a sociedade, pois se trata de educar o cidadão para que ele ajude a forjar uma nova sociedade. Essa educação naturalista não significa retornar a uma vida selvagem, primitiva, isolada, mas sim, afastada dos costumes da aristocracia da época, da via artificial que girava em torno das convenções sociais. A educação deveria levar o homem a agir por interesses naturais e não por imposição de regras exteriores e artificiais, pois só assim o homem poderia ser o dono de si próprio.

Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 28.6.1712-1778), Genebra-Suiça , uma das figuras marcantes do Iluminismo francês, é também um precursor do romantismo  e pai espiritual de Pestalozzi . Para Rousseau a educação natural assume um papel decisivo na construção de um sujeito humano ético e político em seu modelo de república que deve ser governada pela vontade geral e para isso o ser deve ser educado logo na infância para alcançar essa máxima. Ele clama fortemente pelo amor à infância e pela preservação da natureza da criança; isto seria a forma idealizadora de uma educação natural. O conceito de sociedade é fundamentado na sociabilidade racional da ação humana, pois o ser humano é constituído por um duplo sentimento, “o amor de si mesmo” e o “amor-próprio”, o problema é equilibrar isso, pois a tarefa da educação natural é fazer aflorar essa decisão tomando consciência que somos seres humanos egoístas e temos necessidades de socialização. O processo da educação natural é exteriorizar essa tensão entre o “amor-próprio” e o “amor de si mesmo”, dois tipos humanos de sentimentos, onde o ser humano possa ser respeitado em seu mundo. O homem não se constitui apenas de intelecto, pois disposições primitivas nele presentes, como as emoções, os sentidos, os instintos e os sentimentos, existem antes do pensamento elaborado: estas dimensões primitivas são para ele, mais dignas de confiança do que os hábitos de pensamento que foram forjados pela sociedade e impostos ao indivíduo.

Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827- Zurique-Suiça). Ele defende que a educação deveria ter como meta a elevação do ser humano à verdadeira dignidade de um ser espiritual, alvo este que pode ser atingido apenas através da educação motivada pelo amor. Mas não é qualquer tipo de amor. Pestalozzi define o amor sacrificial e incondicional, conforme pregado no Cristianismo bíblico, como sendo o maior referencial de amor que serve de ligação entre o processo educativo e o Cristianismo.

Para ele, o Cristianismo é “um alto acervo de experiências morais que ajudam na educação da humanidade” e a “finalidade última do Cristianismo (…) consiste em educar a Humanidade”. Em busca do melhor método: a fé, a esperança e o amor são as principais virtudes cristãs. Entretanto, quando estas características formas descritas como sendo basilares para a vida do cristão, o amor já foi destacado como sendo a principal delas. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, porém o maior destes é o amor” ( Coríntios  13:13)

Pestalozzi  afirmava ser tarefa dos educadores buscar não apenas  os bons métodos, mas os melhores, métodos.  Assim como o Apóstolo Paulo desafia os cristãos a buscarem os melhores dons e conclui que o melhor dos dons é o amor (I Co 13), Pestalozzi conclui que o melhor dos métodos pedagógicos é o amor. O educador deveria inspirar-se primeiramente no amor a Deus pelos seres humanos, cuja característica principal é a incondicionalidade.

Para a formação humana, segundo este tipo de amor exigente, refletido e iluminado não seria suficiente estabelecer normas e ordens para que estas sejam cumpridas de forma mecânica. É necessário juntar esforços – o educador aliado ao educando, numa cadeia ininterrupta de providências derivadas de um mesmo princípio, um mesmo espírito e um mesmo objetivo. O princípio norteador da educação deve fundamentar-se na consciência de que existem leis imutáveis da natureza humana. O espírito norteador das ações deve ser o espírito de benevolência e firmeza. O objetivo das providências pedagógicas deve ser o da elevação do ser humano à sua verdadeira dignidade de ser espiritual. A educação integral do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus depende do desabrochar de todas as potencialidades contidas nesse “modelo” com o qual o ser humano foi criado. Esta integralidade da ação educativa depende, em primeiro lugar, do amor dos educadores e do grau de lucidez desse amor.

Denizard Híppolyte León Rivail- Allan Kardec (Codificador da Doutrina dos Espíritos) ( 3/10/1804 – 31/10/1869) – Concepções Pedagógicas de Rivail: “… a educação é uma arte particular, bem distinta de todas as outras e que, por conseqüência, exige um estudo especial; que não é aliás nem mais fácil de se estudar e nem mais fácil de se praticar; ela exige disposições e uma vocação muito particulares; exige qualidades morais que não são de todos os homens, tais como uma paciência e uma sabedoria a  toda prova, uma firmeza misturada à doçura…enfim, todas as qualidades que o ser quer transmitir à juventude.  “(…) Vislumbrei naqueles  fenômenos a chave do problema do passado e do futuro da Humanidade, tão confuso e tão controvertido, a solução daquilo que eu havia buscado toda a minha vida. Era, em suma, um revolução total nas idéias e nas crenças existentes. (…).” (Kardec, Allan, Obras Póstumas)

“Os Espíritos superiores apenas complementam: Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo- Cap. VI- item 5). Sendo esta Doutrina o Consolador Prometido por Jesus, “não ensina nada de contrário ao que o Cristo ensinou, mas desenvolve, completa e  explica, em termos claros para todo o mundo, o que não foi dito senão sob a forma alegórica”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. I – item 7). Assim, a verdadeira educação, a educação do Espírito, está necessariamente vinculada ao Evangelho ensinado e vivido por Jesus, suficientemente esclarecido, desenvolvido e completado  pelos conhecimentos contidos na Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, em seu tríplice aspecto. Esta a educação que elevará a humanidade à autonomia moral, agindo com plena consciência do que faz e por que faz, Espíritos autênticos, sinceros, honestos, capazes de pensar, sentir e agir no Bem, vibrando cada vez mais em sintonia com as Leis  Divinas.

O Expositor Espírita deve possuir temperamento expansivo para comunicar por meio da palavra, as idéias e os fatos; manter ao máximo a serenidade de espírito e o domínio de si mesmo; possuir sensibilidade apurada, que o faça capaz de perceber rapidamente o efeito de suas palavras no espírito dos ouvintes; ter firmeza nas convicções e expô-las de modo veemente; conhecer amplamente o assunto de que vai tratar e ter suficiente cultura geral para eventuais digressões ou para reforçar a sua exposição; possuir certo magnetismo pessoal e usar de atenciosa amabilidade para com os que o escutam. “Quando o facilitador é uma pessoa real, se se apresenta tal como é, entra em relação com o aprendiz, sem ostentar certa aparência ou fachada, tem muito mais probabilidade de ser eficiente. Isso significa que os sentimentos que experimenta estão ao seu alcance, estão disponíveis ao seu conhecimento, que ele é capaz de vivê-los, de fazer deles algo de si, e, eventualmente, de comunicá-los”. (Carl Rogers) (…)

Como educador imponho mais pelo que faço do que pelo que digo e o meu agir carrega todo o acervo de princípios que, se sou verdadeiramente autêntico, devo viver”. Isso mostra que, embora a educação seja antes de tudo auto-educação, não podemos negar o peso específico próprio do expositor na situação educativa e o quanto nossa

personalidade revela o ser humano que somos, nossa mentalidade, nosso estilo de viver, nosso sistema de valores, nossa cosmovisão, nossa filosofia de vida. (Sara Escalona – escritora chilena).  Assim, o expositor espírita deve ser aquele que cria ambiente propício à educação espírita, ao aprendizado espírita, com vistas à realização de objetivos pré-estabelecidos. Agindo dessa forma, é o administrador do processo de aprendizagem. Mas é também o indivíduo que se coloca como fonte do aprendizado. No processo educativo é indiscutível que somos ambas as coisas. Mas não podemos correr o risco de nos tornarmos apenas fonte única do saber veiculado em sala de aula.

Consideremos apenas as palavras do Cristo sobre o “reino de Deus que está no homem!   isto é, o germe divino que faz parte da natureza humana e que deve ser despertado e desenvolvido pelo homem. Diz o mestre que este germe, o reino de Deus no homem, é um “tesouro oculto” que deve ser descoberto; que é uma “luz debaixo do velador” que deve ser posta no alto do candelabro; que é como uma “pérola preciosa no fundo do mar” que deve ser trazida à tona. “Não compreendemos Jesus”, diz Bezerra de Menezes no livro: “Chico, Bezerra e Você”, não compreendemos porque não vivenciamos seus ensinos. Aprendizagem implica-se em mudança de comportamento, diz Piaget, portanto, ainda não seguimos Jesus na acepção da palavra.

Altamente elucidativa é A Caridade Segundo São Paulo: Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até ao ponto de transportar montanhas, e não tiver caridade, não sou nada. E se eu distribuir todos os meus bens em o sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se, todavia, não tiver caridade nada disto me aproveita.(Paulo, I Corintíos, XIII: 1-7 e 13.)

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