Edgard Pereira Armond

Nasce no dia 14 de junho de 1894, em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba (SP).
De família humilde, Armond, aos 21 anos, ingressa na Força Pública de São Paulo, onde inicia a carreira que lhe daria o um título, pelo qual é conhecido até hoje: “Comandante”.

Participou de vários movimentos militares, atuando nas revoluções de 1922 e 1924 onde fez parte das tropas de ocupação nas nossas fronteiras com o Paraguai e Argentina. Em 1926 diploma-se como dentista pela Escola de Farmácia e Odontologia do Estado de São Paulo.

Com uma vida profissional plena de atividades, trabalha na construção de uma estrada de rodagem unindo as cidades de Paraibuna e São Sebastião.

Paralelamente, começa a estudar e trabalhar no Espiritismo. Participou de um grupo de estudos e práticas espíritas a convite de Canuto de Abreu, visitando vários centros espíritas que se dedicavam exclusivamente à prática de trabalhos de efeitos físicos, nos arredores da capital.

Em 1938, o Comandante sofre um acidente de automóvel, no Parque Dom Pedro, em São Paulo, no qual quebra os dois joelhos, além de sofrer outros ferimentos. Após várias cirurgias e muitos tratamentos, fica quase sem poder andar durante seis meses.

Em 1939, já considerado inválido para o serviço militar, é convidado a ocupar o cargo de secretário-geral da Federação Espírita do Estado de São Paulo, após reestruturar seus trabalhos espirituais.

Dotado de um caráter reto e firme, de moral elevada, detestava a maledicência, fugindo das conversas fúteis e de perguntas vulgares.

Como expositor, tinha um discurso persuasivo, acompanhado de uma linguagem fácil, clara e objetiva, não deixando pairar dúvidas sobre o tema tratado.

Como escritor era um profundo estudioso dos fenômenos psíquicos e conhecedor de largos recursos sobre o tema mediunidade. Escreveu uma série de 21 livros didáticos, sendo que a maior parte destinada ao uso nas Escolas que criara e os outros para a Fraternidade dos Discípulos de Jesus.

Para suprir a carência de médiuns de confiança e bem preparados na FEESP, criou-se o Grupo Razin, composto por sete membros que passaram a atuar dentro da Federação.

Aconteceram nas reuniões do Grupo Razin as primeiras manifestações do Espírito Ismael, o preposto de Jesus para a condução do Espiritual do Brasil. Apresentaram-se também valorosos Espíritos componentes da Fraternidade do Santo Sepulcro e da Fraternidade dos Cruzados. Em seguida, apresentou-se ao Comandante o Espírito Razin, com a finalidade de auxiliá-lo na criação da Escola de Aprendizes do Evangelho, o que ocorreria em 1950, para que pudessem ser preparados através do estudo, do trabalho e da disciplina, os novos “Discípulos de Jesus”.

Em 1944, funda o jornal “O Semeador” e conduz o Programa de Rádio “Hora Espírita”, que passa a ser veiculado na Rádio Tupi.

Em 1947, Edgard Armond funda a USE – União Social Espírita.

Em 1950, após a criação da Escola de Aprendizes do Evangelho, Edgard cria também o Curso de Médiuns, visando à melhoria do intercâmbio com o mundo espiritual e a Fraternidade dos Discípulos de Jesus, como órgão de agrupamento dos trabalhadores do campo religioso.

Por motivo de doença, o Comandante pede o seu afastamento da Federação em 1967, mas continua a colaborar à distância no setor da publicidade, da organização de centros e organizações espíritas, inclusive em países estrangeiros.

Em 1973, funda a Aliança Espírita Evangélica onde, a partir de 1980, assessora a fundação do Setor III da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, continuando a Expansão do Espiritismo Religioso.

Desencarna em 29 de novembro de 1982, às 04h30min, no Hospital Osvaldo Cruz, na cidade de São Paulo, com oitenta e oito anos de uma ativa vida em prol da Doutrina Consoladora dos Espíritos.

Seu jeito dinâmico e seu ideal nobre nos dão a certeza de que o Comandante permanece em plena atividade no Trabalho Redentor.

Bibliografia

  • ARMOND, Ismael. Edgard Armond, meu pai. Editora Aliança, 2001.
  • Edgard Armond: um Trabalhador da Seara Espírita. Editora Aliança, 2002.
  • Jornal Espírita “O Trevo“. Editora e Distribuidora Aliança, nº 106 (Dezembro de 1982).